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A simpática fitinha do Senhor do Bonfim atravessa décadas sem perder o charme


Por: Roberto Kuelho

 
A fitinha do Senhor do Bonfim além de uma singela lembrança e um símbolo religioso, continua sendo sinônimo de simpatia para o turista que visita a Bahia. Segundo os comerciantes, ela não é vendida.
 
“A gente dá um presente. Uma lembrança que a pessoa vai levar consigo pra qualquer canto do mundo. Aí a gente mostra também os nossos produtos que são: colares, argolas, correntes e pulseiras. Se a pessoa quiser nos ajudar, compra um”, diz vendedor brincalhão que não quis se identificar acreditando que se tratasse de um “Fiscal da Prefeitura” se disfarçando de imprensa.
 
- E quando o turista leva a fita e não compra nada?
 
“É difícil não comprar, mas quando acontece isso a gente trata bem. Do mesmo jeito que tratamos a quem compra. Se for mulher e for solteira, pode dar um beijinho no rosto que já paga”, diz o vendedor que garante que já iniciou paqueras assim.
 
A garota da foto foi presenteada com a fita, foi ‘seduzida’ e acabou levando um belo colar por dez reais. “Dá mais certo com mulheres. Elas adoram ganhar brinde. Já teve cliente que dei presente em um ano e no ano seguinte ela me reconheceu e comprou vários colares”, revelou o vendedor ao BK2.
 
- Afinal, qual é mesmo o significado da Fita do Bomfim? 
 
Na tradição popular, a fita do Senhor do Bonfim tem que ser enrolada no punho e fixada com três nós. A cada nó precede um pedido, realizado mentalmente, e que deve ser mantido em segredo até a fita se romper por desgaste natural. Assim o desejo se realiza.
 
A fita original foi criada em 1809, tendo desaparecido no início da década de 1950. Conhecida como medida do Bonfim, o seu nome devia-se ao fato de que media exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia. A imagem foi esculpida em Setúbal, em Portugal, no século XVIII. 
 
A "medida" era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão e o acabamento feito em tinta dourada ou prateada. Era usada no pescoço como um colar, no qual se penduravam medalhas e santinhos, funcionando como uma moeda de troca: ao pagar uma promessa, o fiel carregava uma foto ou uma pequena escultura de cera representando a parte do corpo curada com o auxílio do santo (ex-voto). Como lembrança, adquiria uma dessas fitas, simbolizando a própria igreja.
 
Não se sabe quando a transição para a atual fita, de pulso, ocorreu, sendo fato que em meados da década de 1960 a nova fita já era comercializada nas ruas de Salvador, quando foi adotada pelos hippies baianos como parte de sua indumentária. Segundo a Wikipédia, alguns atribuem a criação da fita a Manuel Antônio da Silva Serva.
 
Vendida em diversas cores, a Fita do Senhor do Bonfim possui um lado que poucos conhecem: cada cor simboliza um Orixá. Verde escuro para Oxossi, azul claro para Iemanjá, Amarelo para Oxum… Seja qual for a cor, a fita possui uma representação simbólica, estética e espiritual típicas das raízes africanas da Bahia.